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As vilãs das cirurgias

52Uma das primeiras preocupações de quem vai se submeter a uma cirurgia é em relação à cicatrização. Muitos têm medo que, após a cirurgia, ainda fique um estigma feio e aparente, por exemplo. De acordo com o cirurgião plástico Dr. Alderson Luiz Pacheco, de Curitiba, a cicatriz depende da genética de cada paciente. “A queloide e as cicatrizes hipertróficas são determinadas por fatores genéticos, que causam cicatrizes anômalas. Normalmente, o organismo possui mecanismos que detectam quando a cicatriz reparou o dano causado e o processo é interrompido, mas, nestes casos, a produção de tecido continua e ultrapassa a região reparada”, explica.

Segundo Pacheco, a cicatriz é um tecido fibroso, que preenche o espaço do tecido que sofreu o trauma – ou seja, a área do corte – mantendo a parte interna do corpo segura.  A textura deste tecido é diferente da pele normal, e pode ser sentida ao apalpar a região ou percebida visualmente. “Pessoas afrodescendentes, de origem asiática e mulheres têm maior propensão a desenvolver queloides”, aponta.

A diferença entre a quelóide e a cicatriz hipertrófica é, na verdade, bem simples. A segunda não ultrapassa a região lesionada e com o tempo pode regredir, a ponto de ter um aspecto visual de boa qualidade se tratada adequadamente. “No caso da hipertrófica, o tratamento mais indicado é o não-cirúrgico, que é menos invasivo, visando intensificar a regressão. Ele pode ser feito com aplicação de correntes elétricas, procedimento chamado de eletroterapia, ou até mesmo com a aplicação de laser, a laserterapia”, esclarece o especialista. Normalmente, a queloide começa a surgir três meses após a cirurgia, mas o tratamento para evita-la pode ser realizado logo após o início da recuperação, com bandanas elásticas e fitas adesivas de silicone, para comprimir o local.

Se, mesmo assim, a anomalia não puder ser evitada, existem outros tipos de tratamento que são utilizados com o objetivo de diminuí-la. “É possível fazer uma cirurgia reparadora para eliminar os excessos de tecido, mas, em 45% dos casos, há reincidência”, adverte o cirurgião.

Outra alternativa é a aplicação de corticóide através de injeção, já que este procedimento diminui a produção de colágeno e reduz a inflamação. “A injeção diminui a espessura da cicatriz e alivia a coceira e a dor posteriores, porém pode provocar manchas na pele que devem ser tratadas após o processo. O procedimento pode causar dor, por isso é recomendado anestesia local”, observa.
Há ainda a betaterapia, que consiste em irradiar a cicatriz através de uma placa que contém o átomo radioativo estrôncio, e é semelhante à radioterapia. “Este tratamento é eficaz desde que seja feito 48 horas após a cirurgia, e também causa manchas na pele”, acrescenta Pacheco.

O cirurgião plástico finaliza dizendo que, independentemente se as queloides e cicatrizes hipertróficas puderem ser evitadas, ou apenas diminuídas, é imprescindível que os pacientes procurem informações sobre os procedimentos e médicos que irão atendê-los. “Quando se trata da saúde, qualquer cuidado é pouco, e é dever do paciente estar ciente sobre os riscos e cuidados que devem ser tomados antes e depois da cirurgia”, completa.

Doutor Alderson Luiz Pacheco (CRM-Pr 15715)

Cirurgião Plástico

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